TD reduz preço-alvo da Strategy e indica empresa com tesouraria em Ethereum
O banco de investimentos TD Cowen deu início à cobertura da Sharplink Gaming com uma recomendação de compra, apontando um preço-alvo de US$ 16 (cerca de R$ 93 no câmbio atual). Ao mesmo tempo, o banco revisou para baixo o preço-alvo da Strategy, a maior empresa detentora de Bitcoin do mundo, que tem mais de US$ 55 bilhões (aproximadamente R$ 319 bilhões) em BTC. O novo preço-alvo da Strategy caiu de US$ 440 para US$ 350 (cerca de R$ 2.030), mas a recomendação de compra para as ações da MSTR foi mantida.
O analista Lance Vitanza, do TD Cowen, justificou essa mudança dizendo que as expectativas para os preços futuros do Bitcoin foram cortadas. Mesmo com a Sharplink apresentando uma queda de 62% nos últimos seis meses, a equipe de analistas acredita que a empresa pode gerar receita através do staking (um tipo de validação de transações) que ajudaria a cobrir os custos operacionais, mesmo em um cenário desfavorável para o Ethereum.
O que está por trás dessa movimentação?
A decisão do TD Cowen foi fruto de várias revisões recentes. No início de 2026, Vitanza havia elevado o preço-alvo da Strategy para US$ 640 (cerca de R$ 3.710), citando o halving do Bitcoin. Depois, o preço-alvo foi reduzido para US$ 550, depois para US$ 440 e agora para US$ 350. Essa sequência de cortes representa uma perda de 45% no preço-alvo em apenas alguns meses, mesmo que a recomendação de compra tenha se mantido. O motivo por trás disso é que o múltiplo aplicado sobre o ganho em Bitcoin da Strategy precisa ser ajustado, já que as expectativas para o valor futuro do BTC também mudaram.
Outro ponto importante é que a Strategy está planejando emitir US$ 44 bilhões (aproximadamente R$ 255 bilhões) em ações e dívidas. Isso inclui US$ 21 bilhões em ações ordinárias e a mesma quantia em ações preferenciais. Ou seja, ao mesmo tempo em que a empresa se prepara para captar recursos, o próprio banco que a recomenda espera preços mais baixos para o Bitcoin. Isso gerou uma pressão negativa sobre as ações, que estavam em cerca de US$ 129 (R$ 748) na quinta-feira.
Por outro lado, a Sharplink apresenta uma tese diferente, não apenas acumulando Ethereum, mas gerando receita através do staking. Recentemente, a empresa viu sua receita de staking subir 50% em um trimestre, passando de US$ 10,3 milhões (cerca de R$ 59,7 milhões) para US$ 15,3 milhões (aproximadamente R$ 88,7 milhões). O presidente do conselho da Sharplink é Joe Lubin, cofundador do Ethereum, que vê a empresa como uma ponte entre os mercados tradicionais e o Ethereum.
Em termos simples, imagine
Compare a Strategy a um grande frigorífico que compra carne esperando que os preços subam. Enquanto o mercado for bom, tudo bem, mas se os preços caírem, a empresa fica atenta às suas grandes reservas sem retorno imediato. Com isso, o banco financeiro corta seus pontos de referência, como aconteceu com o corte do preço-alvo do MSTR.
Agora, pense em um pequeno produtor de leite, que vende seu produto diariamente para uma cooperativa. Mesmo que o preço do boi caia, ele continua a gerar receita com a venda do leite. Essa analogia reflete a diferença entre a Strategy, que aposta na valorização do ativo, e a Sharplink, que mantém uma operação de receita constante através do staking.
Quais são os dados e fundamentos destacados?
- PREÇO-ALVO SHARPLINK: O TD Cowen definiu o preço-alvo em US$ 16 (cerca de R$ 93), apontando um potencial de valorização de 149% em relação ao preço atual.
- RECEITA DE STAKING DA SHARPLINK: Cresceu 50% no trimestre, com a geração de 14.500 ETH, mostrando um crescimento orgânico saudável, sem necessidade de novo capital.
- PREJUÍZO ANUAL DA SHARPLINK: A empresa reportou um prejuízo anual de US$ 734 milhões (aproximadamente R$ 4,26 bilhões), refletindo apenas a desvalorização das reservas de Ethereum, e não por problemas na operação.
- CORTE DE PREÇO-ALVO DA STRATEGY: O preço-alvo foi reduzido de US$ 440 para US$ 350, sendo o terceiro corte consecutivo do TD Cowen. Mesmo assim, a ação pode oferecer um potencial de valorização de 171%.
- TESOURARIA BTC DA STRATEGY: Com mais de US$ 55 bilhões em Bitcoin, a Strategy é a maior empresa com essa posição no mundo.
Esses pontos revelam um cenário estratégico bem claro: de um lado estão as empresas que dependem da valorização do ativo, e do outro, aquelas que geram receitas constantes. O TD Cowen agora está mudando seu olhar, analisando essas diferenças.
O que muda na estrutura do mercado?
O imediatismo pode ser visto nas cotações: com o corte do preço-alvo da Strategy, investidores institucionais vão precisar revisar suas posições. Mesmo com potencial de valorização expressivo, o clima de confiança está mudando, especialmente considerando a tendência de queda nos preços do Bitcoin.
O mercado começa a distinguir entre empresas de staking e aquelas focadas apenas na valorização do ativo. Com isso, o staking pode se tornar uma métrica valiosa para avaliação, atraindo mais investidores que antes não entravam nesse tipo de ativo.
Como isso afeta o investidor brasileiro?
Efeito BRL: O investidor brasileiro com Ethereum deve ficar atento ao impacto da variação do câmbio. Se o Ethereum subir em dólares, mas o real também se valorizar, o ganho em reais pode ser bem diferente do que parece.
Para quem quer se expor ao Ethereum no Brasil, a opção mais direta é o ETF QETH11 na B3, que acompanha o preço do ETH, mas não tem a parte de staking. Assumir o controle do Ethereum diretamente e utilizar estratégias de staking exige mais conhecimento técnico e não é algo convencional no mercado brasileiro.
Na questão tributária, quem lucra com criptomoedas deve estar atento às obrigações de imposto, variando entre 15% e 22,5%. Transactions abaixo de R$ 35.000 são isentas, mas a situação do staking ainda está em discussão com a Receita Federal.
Quais limiares financeiros importam agora?
- US$ 6,42 (cerca de R$ 37): Preço atual da Sharplink no after-hours. Se cair para US$ 5, a perspectiva de valorização começará a ser questionada.
- US$ 16 (cerca de R$ 93): Preço-alvo verificado pelo TD, que depende estabilização do ETH e crescimento da receita de staking.
- US$ 350 (cerca de R$ 2.030): Novo preço-alvo da Strategy, onde ainda existe um bom potencial de valorização, mas com preocupações em perspectiva.
Riscos e o que observar
- Risco de Concentração em ETH: A Sharplink pode enfrentar prejuízos se o preço do Ethereum, que já caiu, continuar a oscilar negativamente.
- Risco de Diluição na Strategy: O programa de emissão pode tornar as ações menos atrativas se não houver uma performance condizente do Bitcoin.
- Risco Regulatório sobre Staking: A definição sobre regulamentos contratuais para o staking ainda é um ponto de incerteza que pode afetar a operação da Sharplink nos Estados Unidos.
- Risco de Rotação Institucional: Se empresas maiores ajustarem suas plataformas de staking e reduzirem taxas, a competitividade da Sharplink pode entrar em risco.
Esse cenário apresenta um momento decisivo. Se o Ethereum se estabilizar e a receita de staking continuar em tendência de alta, a Sharplink pode ver um futuro promissor. Caso contrário, o mercado terá que lidar com os revezes e a necessidade de adaptação frente às novas condições que surgem.





